“Dinheiro na mão é vendaval, é vendaval
Na vida de um sonhador, um sonhador
Quanta gente aí se engana e cai da cama
Com toda a ilusão que sonhou…”
Paulinho da Viola. Gênio.
Essa não é a primeira vez que recorro à letra de “Pecado Capital” para escrever um post. Tampouco é a última, já aviso, porque dinheiro na mão é vendaval, mesmo, inda mais na vida de um sonhador.
Todo torcedor é um sonhador. Sonha muito, sonha sempre, sonha ganhar todos os títulos e todos os jogos do mundo e da vida, sem saber que se isso acontecer nada mais terá graça. Nem o jogo, nem o título, nem a vida.
Todo dirigente de clube de futebol é um torcedor. Antes de qualquer outra coisa, acima de tudo, é um torcedor.
Agora, porém, todos terão que começar a agir mais como executivos profissionais do que como torcedores. Os novos tempos já começaram.
As últimas semanas trouxeram algumas notícias interessantes relacionadas a dinheiro. Dinheiro para os clubes.
Premiação do Brasileirão
Agora faltam poucos dias para acabar o campeonato e tão logo ele termine R$ 35,8 milhões serão distribuídos entre os participantes da Série A do Brasileirão 2015.
O campeão receberá um mimo de respeito: R$ 10 milhões.
O 16º receberá módicos R$ 350 mil (veja a lista completa no final desse post).
O valor sempre importa, é claro, mas, mesmo que seja pouco, será importante para os 16 clubes. Afinal, será a entrada de “algum” no caixa em pleno dezembro, o mês do terror para os responsáveis pelas contas a pagar dos clubes.
Esse prêmio não sairá do gordo cofre da confederação, como ela mesma acentuou ao divulgar os valores: será pago pela Globo, detentora dos direitos de transmissão do campeonato.
Premiação da Copa do Brasil agora e do Campeonato Paulista em abril
Palmeiras ou Santos: um receberá R$ 4 milhões pelo título da Copa do Brasil e o outro receberá R$ 2 milhões pelo vice-campeonato. Somando os valores pelas outras fases, o total chegará, com pequeno arredondamento, aos R$ 8 milhões para o campeão e R$ 6 milhões para o vice.
Um bom dinheiro, fundamental para ajudar os clubes nesse final de ano, mas muito melhor seria se chegasse a tempo de ajudar a pagar as obrigações fiscais e trabalhistas pendentes nos dois clubes. Se não ajuda agora, ajudará para os times conseguirem se inscrever para o Brasileiro do próximo ano.
O campeão do Campeonato Paulista de 2016 irá receber quase R$ 8 milhões. Um valor mais do que excelente para uma competição de apenas 90 dias. Um valor, como vimos acima, equivalente ao que ganhará o vencedor da Copa do Brasil desse ano.
Para os quatro grandes de SP o Paulista já é uma competição muito mais rentável que a Copa Libertadores, isso, é claro, se desconsiderarmos as receitas com bilheteria (os times paulistas quando avançam na Libertadores conseguem rendas enormes). Com mais esse prêmio, o campeão de 2016, se for um dos quatro grandes, receberá pelo campeonato um valor ao redor de R$ 33 milhões, praticamente três vezes o valor recebido pelo campeão da Copa Libertadores nesse ano de 2015.
Esse valor, que pode ser chamado de assombroso para um simples estadual, corresponde à cota dos direitos de transmissão de 2016 (R$ 18 milhões para cada um dos grandes), mais um terço do bônus pela assinatura do novo contrato desses direitos (um terço dos R$ 20 milhões) e, por fim, o prêmio ao campeão.
Os clubes brasileiros, com a torcida dos argentinos, principalmente, esperam boas mudanças para os pagamentos da CONMEBOL pela Copa Libertadores. A federação continental já adiantou que haverá boas mudanças, mas não se sabe se o que é bom na visão da entidade corresponderá ao que os nossos clubes imaginam como sendo bom. De qualquer forma, é muito improvável que a CONMEBOL mude tanto a ponto de igualar os ganhos do Paulista.
O Paulista e a Liga Sul-Minas-Rio
Por que tanto dinheiro por um estadual?
Porque o Paulista é disputado para um universo que, em maio desse ano, chegou a 43 milhões de pessoas. Que respondem por pelo menos um terço de todo o mercado brasileiro ou do PIB nacional.
A nova Liga Sul-Minas-Rio cobre um mercado ainda maior, com cerca de 65 milhões de pessoas, e responde por aproximadamente 36% do PIB nacional, o que leva a uma renda per capita menor que a de São Paulo. Nesse caso, porém, essa diferença – cerca de US$ 11,100.00 para as populações cobertas pela Liga e US$ 14,900.00 para os paulistas – não será tão impactante devido ao tamanho dos mercados.
Se cair no gosto do torcedor, a Liga terá uma base de respeito para a negociação de direitos de transmissão, o que atemoriza as federações estaduais, principalmente a do Rio de Janeiro.
E, com isso, uma excelente base para ações de marketing, melhorando a arrecadação paralelamente.
Para os quatro grandes paulistas aderir à Liga não é muito interessante, hoje. Se por um lado poderia haver um ganho financeiro, por outro, em termos esportivos e práticos, a disputa do estadual exige muito menos dos atletas – viagens curtas e em pequena quantidade.
Nos próximos anos teremos muitas discussões em torno desses pontos, e o foco, obrigatoriamente, estará no calendário do futebol brasileiro. E, dentro dele, na existência ou não dos estaduais ou, existindo, no número de datas que poderão ter.
Premiação do Brasileirão 2015
Fonte: Olhar Crônico Esportivo
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Dinheiro na mão no final do ano, a nova liga e o calendário do futebol
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Oleh
Jose
